Foto: Brigada Militar (Divulgação)
Santa Maria deve receber, até o fim de 2026, 144 câmeras corporais para uso de policiais da Brigada Militar. A aquisição faz parte de um processo do governo do Estado, em convênio com a União, que prevê a locação de mais de 1,7 mil equipamentos para o Rio Grande do Sul, com investimento de R$ 24,1 milhões – recursos federais com contrapartida estadual. Atualmente, os dispositivos são utilizados apenas em Porto Alegre e em municípios da Região Metropolitana.
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O comandante do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), tenente-coronel Marcus Giovani Mello da Silva, afirma que a medida representa um avanço na transparência das ações policiais e na segurança tanto da população quanto dos próprios agentes.
– Eu sou favorável à utilização das câmeras. Os dados que nós temos, com base no primeiro ano de uso na região de Porto Alegre e na Região Metropolitana, são positivos. Trouxe maior transparência às nossas ações e também mais segurança para a população e, especialmente, para o policial – diz.
Distribuição e funcionamento
As 144 câmeras destinadas a Santa Maria serão utilizadas pelas guarnições do Centro de Operações Policiais (Copom), que funciona junto ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). As imagens serão gravadas de forma automática e ininterrupta durante a jornada de trabalho dos policiais.
De acordo com o comandante, o sistema permitirá a extração das imagens para produção de provas, quando necessário. A central de armazenamento e gerenciamento dos dados deverá funcionar junto ao Centro de Operações, afirma o tenente-coronel:
– É uma ferramenta que vem para trazer mais transparência, controle do uso da força e também respaldo ao policial, inclusive diante de eventuais denúncias infundadas.
Em Santa Maria, casos recentes ajudam a dimensionar a relevância do uso de câmeras corporais para esclarecer abordagens policiais. Um dos episódios de grande repercussão foi a morte do agricultor Valdemar Both, de 53 anos, no distrito de Palma, na zona rural do município, durante uma abordagem policial que apurava uma denúncia de crime ambiental. O fato levantou questionamentos sobre a conduta dos policiais e diferentes versões do momento anterior aos disparos. A Brigada Militar, por exemplo, alegou que o agricultor ameaçou os soldados com um machado e que a ação foi em legítima defesa. Já a família defendia uma conduta menos violenta.
Relembre outros casos
Além do caso envolvendo o grupo, pelo menos outros dois casos de grande repercussão poderiam ser esclarecidos a partir de câmeras corporais. Relembre:
- Caso Gabriel, em 2022: Gabriel Marques Cavalheiro, à época com 18 anos, desapareceu no município de São Gabriel após ser abordado por três policiais militares. Os policiais teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura militar. O corpo de Gabriel foi localizado uma semana depois do desaparecimento, submerso em um açude na localidade. Os policiais estão presos preventivamente desde 2022 e aguardam julgamento.
- Morte de homem no Bairro Tancredo Neves: Um homem de 35 anos, identificado como Paulo José Chaves dos Santos, morreu após ser atingido por um tiro durante uma abordagem da Brigada Militar (BM) no Bairro Tancredo Neves. O caso aconteceu em janeiro de 2026. A BM foi chamada após familiares relatarem que o homem estaria em surto. O registro da ocorrência relata que, quando a viatura se aproximou do local, o homem teria pego um martelo e avançado em direção aos policiais. Foi quando um dos policiais efetuou três disparos em direção a Santos, que morreu no local. A Brigada Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes. A Polícia Civil também investiga o caso.
Prazo e capacitação
O processo ainda está na fase de licitação para a locação dos equipamentos. A expectativa é que as câmeras cheguem ao município até o final do ano. Antes da entrada em operação, deve haver um período de capacitação dos policiais e adaptação da estrutura no Ciosp.
– Ainda não fomos informados do cronograma, mas certamente haverá treinamento e adequação da parte tecnológica. Assim que recebermos a confirmação, organizaremos a implementação o mais rápido possível – explica.
Expansão
A adoção das câmeras corporais começou pela capital e pela Região Metropolitana. No Estado, a Brigada Militar tem mil câmeras de monitoramento em unidades de Porto Alegre e outras 250 para atender os municípios de Cachoeirinha, Alvorada, Viamão e Gravataí. Agora, a iniciativa será expandida para cidades do interior, como Caxias do Sul, Santa Maria, Pelotas e Canoas. O repasse é decorrente de um edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O custo dos equipamentos será de R$ 24,1 milhões – desse valor, R$ 23,6 milhões serão aportados pela União e o restante em contrapartida do governo estadual.
A expectativa do governo é, futuramente, contemplar todo o Estado. Ao todo, serão adquiridos mais de 1,7 mil equipamentos. Porém, a expansão está longe de atingir a totalidade do efetivo. Conforme o último censo da corporação, a BM tem cerca de 17 mil PMs na ativa – as câmeras, portanto, atenderiam 10% do efetivo.
Para onde irão as câmeras:
- Caxias do Sul – 168
- Santa Maria – 144
- Canoas – 175
- Pelotas – 126
- São Leopoldo – 110
- Novo Hamburgo – 94
- Viamão – 70
- Rio Grande – 121
- Passo Fundo – 118
- Gravataí – 120
- Erechim – 57
- Bento Gonçalves – 68
- Alvorada – 51
- Bagé – 76
- Santa Cruz do Sul – 53
- Sapucaia do Sul – 99
- Cachoeirinha – 45
- Uruguaiana – 50
- Total – 1.745 câmeras
Fonte: Brigada Militar

Indicadores criminais em queda
O comandante também destaca a redução nos indicadores criminais em Santa Maria. Conforme ele, o município registra queda consolidada nos índices monitorados pelo programa RS Seguro, com destaque para a diminuição de homicídios em comparação ao mesmo período do ano passado. Um levantamento recente do Diário mostrou que Santa Maria teve o mês de janeiro com menor número de homicídios dos últimos oito anos.
Ele atribui os resultados a um conjunto de fatores, como operações integradas, análise criminal, trabalho de inteligência, videomonitoramento, uso de reconhecimento facial e operações com drones.
– O compromisso é seguir buscando a redução dos indicadores. A tecnologia, somada ao trabalho dos operadores de segurança pública, fortalece as ações na busca por um serviço cada vez mais qualificado para a comunidade – finaliza o tenente-coronel Marcus.